Publicado por: Wanessa Araújo em: 21 21UTC junho 21UTC 2011
Para que convém a arte?
E por que algo emociona mais a nós do que há outros?
Será que cada um apreende de uma forma distinta e este processamento está ligado intimamente à cultura, experiências pessoais e ideologias?
Estamos ensaiando situações através de obras?
A réplica pode ser um sim na teoria, mas o que realmente seu coração responde?
Às vezes esqueço o motivo de gostar tanto de um trabalho artístico e depois quando “reencontro” com está arte fica tão claro os motivos.
É como me sinto com o que Celine (personagem de um filme) diz:
“…por que sempre sinto que sou anormal por não conseguir seguir em frente.
As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos terminam e esquecem tudo. Muda como trocam de marca de cereal.
Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque cada uma tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém. O que foi perdido está perdido.
Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero.
Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais.
Eu evito até transar porque vou sentir saudades de coisas mundanas daquela pessoa.
Tenho obsessão com pequenas coisas.
Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola.
Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore.
Coisas pequenas. Acho que com gente é igual.
Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois.
Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes.” (Before Sunset)
Publicado por: Wanessa Araújo em: 6 06UTC junho 06UTC 2011

Publicado por: Wanessa Araújo em: 14 14UTC maio 14UTC 2011
Sapos e Pirilampos Ululantes
Nelson Rodrigues
Chego à redação e o contínuo vem avisar: — “Telefonaram para ti”. Estou tirando o paletó: — “Homem ou mulher?”. E o outro: — “Homem”. Ponho o paletó na cadeira: — “Deixou recado?”. Não, não deixara. Sento-me. Um telefonema anônimo é uma janela aberta para o infinito. Já num começo de angústia, imagino quem seria, quem? Podia ser o alfaiate, ou o leiteiro, ou o açougueiro, ou o Chico Buarque de Hollanda.
Passei em revista todos os meus amigos e todos os meus inimigos. E, de repente, ocorreu-me uma hipótese inusitada: — e se fosse o rei Gustavo, da Suécia? Na Suécia, há sempre um rei Gustavo, um rei Gustavo que joga tênis. Não governa, mas joga tênis. E, por um momento, com imenso deleite, sonhei com o telefonema real.
E, súbito, volta o contínuo, esbaforido: — “Telefone. É o cara”. Saí tropeçando em mesas e cadeiras. Agarro o aparelho: — “Alô? Alô?”. Ouço a voz: — “Nelson Rodrigues?”. Confirmo: — “Sou eu”. E pergunto: — “Quem fala?”. Ia desfazer-se o mistério insuportável. A voz respondeu: — “Vladimir Palmeira”. Cavou-se, então, no telefone, uma pausa abismai.
Fui, por uns dez segundos, o sujeito mais espantado da Terra. Vejam vocês: — minutos atrás, imaginara eu o telefonema do rei Gustavo. E eis que a realidade ultrapassava, de muito, a fantasia paranóica. (De fato, nem rei de baralho telefona para mim.) Vladimir Palmeira era muito mais insólito do que qualquer Gustavo passado, presente e futuro. Como que rachado por um raio deslumbrante, solucei no telefone: — “Vladimir? Mas oh! Eu não mereço tanto!”.
Abro um breve parêntese. Como se sabe, estão invertidas as relações de jovens e velhos. Hoje, um ministro, ou professor, ou sacerdote se dará por muito feliz de servir cafezinho e água gelada à juventude. Outro dia, passou por nós um jovem de peruca e costeletas. E um velho catedrático o lambeu com a vista. Eis o que me perguntava: — e por que o Vladimir fazia a mim, um velho trôpego, a concessão surrealista de um telefonema?
No caso de Vladimir, não era apenas “O Jovem”, era também “O Líder”. Desmanchei-me: — “Quanta honra”. Exagerei, e o confesso, a minha subserviência. (Eu estava me sentindo o próprio contínuo das Novas Gerações.) Vladimir começava a falar: — “Nelson, preciso de um favor teu”. Interrompi-o tumultuosamente: — “Você manda, você manda!”.
Tratava-o por “você” com escrúpulo e dúvida. Sim, eu estava temeroso de um passa-fora, Vladimir cria um suspense e faz o pedido: — “Preciso que você faça comigo uma ‘entrevista imaginária’ urgentíssima! Entende?”. Arremessei-me: — “Quantas quiser! Hoje mesmo! Quer hoje? Será hoje!”. Ele já se despedia: — “Combinado”. E desligou.
Dessa vez, fui mais cedo para o terreno baldio. Reuni moscas, pirilampos, gafanhotos, sapos e fiz-lhes o apelo: — “Comportem-se! Vem aí ‘O Jovem’! Comportem-se!”. Chamei também os faunos e as ninfas que fazem seus idílios nos terrenos baldios. Falei como não o faria melhor a própria Bernarda Alba: — “Tomem juízo! Ou vocês não receberam educação sexual?”. Também os faunos e também as ninfas prometeram um comportamento estritamente familiar.
Finalmente, chegou Vladimir Palmeira. Meia-noite em ponto. O papel picado caía como neve de Papai Noel. E o líder entra de chapelão e capuz de Michel Zevaco. Só não entendi o bigode de cossaco. E, então, o Vladimir explica: — “Pedi emprestado o bigode do Hugo Carvana. Estou despistando. Se me vissem contigo, que diriam os liderados?”. Achei aquilo de uma clarividência estarrecedora. Disse-lhe: — “Você é vivo, hem, Vladimir?”. Em seguida, perfilei-me e disse: — “Estou às suas ordens”.
Vladimir ia começar. Súbito, viu a cabra vadia que, adiante, comia o capim, isto é, comia o cenário. Toma um susto: — “Essa cabra é de confiança?”. Tive de jurar que não era do DOPS. Uma última dúvida lhe corroeu a alma: — “Vê lá, vê lá!”. Novamente, dei-lhe a minha palavra: — “Cabra de bem! Cabra de bem!”. E, então, o líder falou.
Disse: — “Vim aqui pedir”. Imaginei que fosse pedir desculpas pelos 2 mil anos da Igreja. No momento, os sacerdotes, os intelectuais, os arquitetos, os cineastas, os artistas plásticos, os professores, todos, todos pedem desculpas pelos dois mil anos de Igreja. Mas não era isso. Vladimir continua: — “Nelson, não me elogia mais! Nunca mais!”.
O meu espanto assumiu proporções quase dolorosas: — “Como? Como? Não elogiar a quem e por quê?”. Nos comícios estudantis, Vladimir é de uma pura, exata, imaculada objetividade. Dessa vez, falou com rompantes de um Tartarin: — “Seu idiota! Seu elogio é, na minha vida, uma mácula. Entende? Fisicamente, uma mácula. Depois do seu elogio, tive que tomar um banho! Tive que me esfregar com palha de aço! Está proibido de me elogiar! Proibido!”.
Na minha confusão trágica, eu já não ousava nenhuma intimidade. Chamei-o de “Excelência”, de “Excelentíssimo”. E esse tratamento de envelope apaziguou a sua fúria. Reconheceu mesmo que se excedera: — “Desculpe a minha exaltação. Mas você não imagina. Você é o reaça. Mais um elogio de você e eu caio do cavalo”. Crispado de vergonha, limitava-me a repetir, obtusamente: — “Excelência, Excelência!”. E disse: — “Não tive a intenção! E nem pensei que…”.
Foi aí que a cabra se intrometeu: — “Um momento, um momento”. Paramos. A cabra vira-se para mim: — “Faz o seguinte: — escreve um artigo xingando o Vladimir. É a solução!”. Vladimir exulta: — “Isso mesmo! Luminosa idéia! A senhora é uma George Sand!”. A cabra baixou a vista, rubra de modéstia. E tinha mesmo um ar de George Sand sem Chopin. Vladimir me agarra: — “Escreve o tal artigo. Me xinga de todos os nomes. Diz que eu sou o último, o último dos… Diz o que você quiser. Contanto que não me elogie”. Ainda quis objetar: — “Mas eu o admiro, eu o admiro!”. O Líder zangou-se novamente: — “Elogios, não admito!”. E, mudando outra vez de tom, com ardente humildade: — “Põe isso na tua cabeça. Tem uns quinhentos sujeitos, na classe, querendo ser líder. E cada vez que sai meu nome no jornal, querem me comer vivo. Os concorrentes me acusam de vedetismo. Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, sou uma prima-dona, mas não posso parecer prima-dona”. Vira-se para a cabra: — “A senhora me entende?”. E a cabra: — “Vladimir, pra mim você é um livro aberto!”. A entrevista imaginária chegara ao fim. Eu e a cabra fomos levar o líder ao táxi. E, quando ele partiu, foi patético. Os sapos, pirilampos, gafanhotos, corujas berravam como nos comícios do Brigadeiro: — “Já ganhou, já ganhou!”.
[6/7/1968]
Publicado por: Wanessa Araújo em: 5 05UTC maio 05UTC 2011
Dança, Salomé, a tua dança
Que ao teu pedido todo rei é cego
Salomé, dança a dança tua
Que a ti qualquer cabeça entrego
Dança a tua dança, Salomé
Que por ti eu também perco a cabeça
Salomé, dança, dança, Salomé
E que de ti eu jamais esqueça
Marcley de Aquino
Publicado por: Wanessa Araújo em: 27 27UTC abril 27UTC 2011
Publicado por: Wanessa Araújo em: 1 01UTC fevereiro 01UTC 2011
Um Duelo de samba servindo de inspiração para outro poeta que não da vila.
Te avistei vestida de frestas
A festa era minha, sonhei
Uma morena assim
sambando nas nuvens
bailando os cabelos
não tem zelo por mim
abusa do que tem
suas curvas aumentam
meus braços lamentam
não alisar tua cintura
a esta altura
já perdi o domínio
viro menino
perco o rebolado
mãos no bolso de um Jeans desbotado
minha língua beija a imagem
oh, desejo teu cheiro
e esse molejo sacana
Você nem imagina que me já ama
samba sem dó nem piedade
quanta maldade
essa morena tirou meu prumo
desviou minha estrada
no salão feito avenida
que mulher atrevida
vem, atropela meu mundo
se preciso, eu apelo
fico até de joelhos
amor é sem vergonha
desejo o teu absurdo
e fico mudo vendo teu remelexo
me deixo navegar em vão
sob o som do violão, reco-reco, surdo e cavaquinho
te fantasio destino
vem, mulata
vem sem pena
e me mata sem tino e ávida
ainda morro disso
dando graças à vida…
(aluisiomartinns)
Publicado por: Wanessa Araújo em: 31 31UTC janeiro 31UTC 2011
Velhas paredes se desmoronam depois de serem pintadas.
Como se não pudessem mais falar.Como se Ruínas também não contassem estórias de belos copos vazios, de mãos um dia realeza, agora trôpegas, bêbadas de feitiços imperiais que vitimam sempre no último minuto de sombra.
Reminiscências de um sorvo…
Ah!
Agora há brilho. Passou a nuvem.
Vêem a luz desta lembrança?
Sentem a magia trazida pela chuva?
É a libertação… Um Alvará Lunar!
Wanessa Araújo Papillon
Publicado por: Wanessa Araújo em: 26 26UTC outubro 26UTC 2010
Desceu do salto.
Tirou o figurino.
Esquivou-se do cenário.
Com uma flor na cabeça.
Um som de jazz ao ouvido.
Lembranças de luas iluminadas,
De sinceridades fatais ao juízo.
Na ribalta, vemos a seiva que jazeu.
Um circo expira,
O silêncio se instaura
A vida anseia.
Wanessa Araújo “Papillon”
Publicado por: Wanessa Araújo em: 22 22UTC outubro 22UTC 2010
Uma criança metafísica de muitas asas. Dividida entre o palco e a realidade, Entre a ilusão e a poesia.
http://mitopsique.blogspot.com/
http://www.youtube.com/user/Psiquewat
Publicado por: Wanessa Araújo em: 29 29UTC setembro 29UTC 2010
Não é tão estouvado o fato das pessoas não gostarem de política.
É só observar o que acontece nessas eleições aqui em Fortaleza.
A nossa descrença vai além dos políticos em si, sobrevoa também até os meios de comunicação.
Sabemos que não é de hoje que a mídia é comprada, manipulada e parcial, mas até a mim surpreendeu que uma revista de circulação nacional apresente uma reportagem com conteúdo grave de acusação para O candidato ao Governo mais bem posicionadonas pesquisas.
A Minha grande questão é: Essas informações são válidas ou só um jogo sujo político?
Até onde podemos construir uma opinião própria embasada nesse baile sórdido, nessas alternativas pérfidas?
Como descobrir a verdade se esse jogo de apontar a sujeira de baixo do tapete só dura até as eleições?
Não tenho orgulho de assumir isso, mas nesse ano não irei feliz as urnas e provavelmente eu sinta uma enorme vontade de chorar ,assim como foi em 2002, mas o sentimento será outro, extremamente diferente!
Wanessa A.T – Uma Eleitora